segunda-feira, 12 de abril de 2010

ETAPA 5 - Barroco Português

Momento histórico e características. Pe. Vieira e Mariana Alcoforado. Barroco Brasileiro – momento histórico e características. Bento Teixeira. Pe. Vieira. Gregório de Matos Esta atividade é importante para que você entenda como as retóricas, poéticas e gêneros forjados na Europa começaram a absorver as questões locais ao mesmo tempo em que, também, se transformavam a partir da colônia. Para realizá-la, é importante seguir os passos descritos.

Passo 1 - Delineie, de forma sucinta, o tema central do Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as da Holanda, de Antonio Vieira (1608-1697). Por que podemos considerar tal obra como sendo representativa de uma literatura portuguesa que vai ganhando traços da colonial? Para ler o sermão, acesse:
Acessado em 06 de dezembro de 2009.


Ordenado em 1634, encetou a carreira de pregador que logo conheceu o êxito do SERMÃO PELO BOM SUCESSO DAS ARMAS DE PORTUGAL CONTRA AS DA HOLANDA, célebre pela “apóstrofe atrevida” a Deus para que sustasse a vitória dos hereges, futuros destruidores das imagens sagradas: EXSURGE, QUARE, ABDORMIS, DOMINE?
As guerras do século entre as potências mercantis pelo monopólio do açúcar, afiguravam-se à Vieira, embates teológicos, fazendo seus anátemas do catolicismo espanhol contra os calvinistas. O tema consiste na tomada de Salvador/BA pelos holandeses na qual Vieira com apenas 32 anos, prega diante de uma população amedrontada, dirigido-se à Deus, exigindo Dele proteção para o seu povo: “Acordai, Senhor, porque dormis?”
A prosa barroca está representada em primeiro plano pela oratória sagrada dos jesuítas, sendo Vieira, destacado por sua intensa religiosidade, sólida cultura humanística e a perícia verbal, e que sendo português de nascimento, participa tanto da história da literatura portuguesa quanto a literatura brasileira. Sua atuação polícia, intimamente associada às suas obras, centralizou-se na defesa de judeus, negros e índios. Os sermões elaborados numa linguagem conceptista, refletiam as preocupações do autor com problemas brasileiros da época, como a escravidão.

Passo 2 - Considera-se a épica Prosopopéia (1601), de Bento Teixeira (1561-1618), a primeira manifestação literária brasileira produzida diretamente a partir da esteira da tradição portuguesa. Alfredo Bosi, em sua História Concisa da Literatura Brasileira, chega a tomar a obra como “um primeiro e canhestro exemplo de maneirismo nas letras da colônia”. Explicando que entende o maneirismo deste caso na “sua acepção mais pobre”: “à maneira de um autor já consagrado”.
• Qual é o autor português que serve de modelo a Teixeira, à maneira de qual obra constrói sua Prosopopéia?


Bento Teixeira, toma como modelo o escritor e poeta português Luís de Camões, imitando seu clássico “Os Lusíadas”.

Quais as características formais da obra brasileira que denunciam evidente aproximação desta com a obra portuguesa referida?

Poemeto épico, com 94 estâncias em oitava-rima e decassílabos heróicos, conforme ensinava Camões em “Os Lusíadas”, contem na estrofe I – a proposição; estrofe II – encerra a invocação; estrofe III e IV – o oferecimento; estrofe VII – inicia a narração, porém, sendo um poeta menor, falta-lhe talento e motivação poética.

Ao mesmo tempo, há alguma novidade lexical, cenográfica ou temática na obra quando comparada a seu modelo?

Enquanto a poesia camoniana retrata a literatura classicista, Teixeira em seu poemeto épico inicia a época do Barroco no Brasil em 1601, mesmo não sendo o melhor de nossa história literária, mas por ser um versejador medíocre que pressagia os jogos gongóricos.

Explique sucintamente qual é o tema de Prosopopéia. Para consultar o poema, acesse o site do NPILL da Universidade Federal de Santa Catarina:
Acessado em 06 de dezembro de 2009.


O tema gira em torno de Jorge Albuquerque Coelho, donatário da Capitania de Pernambuco e de seu irmão Duarte, enaltecendo os feitos guerreiros dos heróicos, em terras "brasílicas" e africanas (batalha de Alcácer-Quibir). O narrador é Proteu.


Passo 3 - Leia os dois sonetos abaixo de Gregório de Matos (1636-1695). Se quiser aprofundar seus conhecimentos sobre a obra do poeta:
Acessado em 06 de dezembro de 2009.

A N. SENHOR JESUS CHRISTO COM ACTOS DE ARREPENDIDO E SUSPIROS DE AMOR.
Ofendi-vos, meu Deus, bem é verdade,
É verdade, meu Deus, que hei delinqüido,
Delinqüido vos tenho, e ofendido,
Ofendido vos tem minha maldade.
Maldade, que encaminha à vaidade,
Vaidade, que todo me há vencido;
Vencido quero ver-me, e arrependido,
Arrependido a tanta enormidade.
Arrependido estou de coração,
De coração vos busco, dai-me os braços,
Abraços, que rendem vossa luz.
Luz que claro me mostra a salvação,
A salvação pretendo em tais abraços,
Misericórdia, Amor, Jesus, Jesus.

a) Qual a classificação temática de tal soneto de Gregório de Matos?

Poesia Sacra Barroca.

b) Por que a temática deste poema pode ser considerada tipicamente barroca?

A poesia barroca concilia os extremos constituídos pelos valores medievais, e de espiritualismo, de claro e de escuro, formando pólos distintos nos recursos expressivos empregados.

c) Neste poema, Gregório de Matos faz uso de um artifício poético denominado anadiplose. Em que consiste tal artifício?

Anadiplose é a figura de linguagem que consiste na repetição da última palavra ou expressão de uma oração ou frase no início da seguinte com intenção de realce.
Ex.: MALDADE, que encaminha à VAIDADE,
VAIDADE, que todo me há VENCIDO;
VENCIDO quero ver-me, e ARREPENDIDO,
ARREPENDIDO a tanta ENORMIDADE.

AOS AFETOS, E LÁGRIMAS DERRAMADAS NA AUSÊNCIA DA DAMA A QUEM QUERIA BEM.
Ardor em firme coração nascido!
Pranto por belos olhos derramado!
Incêndio em mares de água disfarçado!
Rio de neve em fogo convertido!
Tu, que em um peito abrasas escondido;
Tu, que em um rosto corres desatado;
Quando fogo, em cristais aprisionado;
Quando cristal, em chamas derretido.
Se é fogo, como passas brandamente?
Se és neve, como queimas com porfia?
Mas ai! Que andou Amor em ti prudente.
Pois para temperar a tirania,
Como quis, que aqui fosse a neve ardente,
Permitiu, parecesse a chama fria.

a) Qual a classificação temática de tal poema de Gregório de Matos?

Poesia Lírica Amorosa.

b) A antítese e o paradoxo são bem determinantes para o desenvolvimento lógico e temático do poema. Demonstre quais são suas principais estruturas antitéticas e paradoxais, fundamentais para a compreensão de suas características barrocas.

Antítese – idéia que é o oposto de uma outra idéia: figura retórica que opõem duas idéias ou palavras de sentido contrário, antitético, personalizando a paixão, mas demonstram toda a tensão, principalmente, no segundo quarteto
Ex.: Tu, que em um peito abrasas escondido;
Tu, que em um rosto corres desatado;
Quando fogo, em cristais aprisionado;
Quando cristal, em chamas derretido.

Paradoxo – proposição ou opinião contrária ao comum, aparente falta de lógica ou nexo; contradição, bem como a ambigüidade e o dualismo nos versos finais em que o poeta utiliza as figuras de linguagem com engenhosidade e habilidade, retratando o engano entre a realidade e o jogo amoroso.

Ex.: Se é fogo, como passas brandamente?
Se és neve, como queimas com porfia?

c) Identifique pelo menos um oxímoro e um quiasmo no poema. Explique como funcionam.

Oxímoro – figura de linguagem que harmoniza dois conceitos opostos numa só expressão, formando assim um terceiro conceito que dependerá da interpretação do leitor.
Ex.: neve ardente, chama fria.
Quiasmo – é uma espécie de antítese; também conhecido como antimetábole, que é o cruzamento de dois grupos sintáticos paralelos (dois ou quatro vocábulos), de forma que o grupo de vocábulos do primeiro se repete no segundo em ordem inversa (AB x BA).
Ex.: Quando fogo(A), em cristais(B) aprisionado;
Quando cristal(B), em chamas(A) derretido.

Bibliografia
MOURA, Francisco Marto e FARACO, Carlos Emílio. "Língua e Literatura.vol.1/2.º Grau", Ed.Ática, 19.ªed.1999.
AMARAL, Emília."Novas palavras: língua portuguesa:ensino médio" 2.ªed renov.São Paulo-FTD.2005.
MOISÉS, Massaud. A literatura brasileira através dos textos. 27.ª ed. São Paulo: Cultrix, 2007.
BOSI, Alfredo. História Concisa da Literatura Brasileira. 44.ª Ed. – São Paulo: Cultrix, 2007
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Um comentário:

  1. NOTAS POR PASSO
    P. 1: 2,0/2,0
    P. 2: 1,5/2,0 (O BRASIL E A INFLUÊNCIA DE VOCABULÁRIO INDÍGENA NÃO SÃO CITADOS)
    P. 3: 3,0/3,0
    P. 4: 2,5/3,0 (EXEMPLO DE ANTÍTESE NÃO CORRESPONDENTE)
    TOTAL DA ETAPA: 9,0/10,0

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