terça-feira, 1 de junho de 2010

ETAPA 7 - ROMANTISMO EM PORTUGAL

Garrett. Castelo Branco. Herculano. Julio Dinis.

PASSOS

Passo 1 - A partir da leitura da História da Literatura Portuguesa, de Antonio José Saraiva um dos livros de nossa bibliografia, comente o papel fundamental do romance Viagens na Minha Terra (1846), de Almeida Garrett (1799-1854), no cenário do romantismo português.

João Batista da Silva Leitão de Almeida Garrett é o principal introdutor do Romantismo em Portugal, destacando-se não apenas como um dos principais autores desta escola literária, mas também pela intensa atuação política e pela liderança no meio cultural de sua época.
Em forma de prosa, “Viagens na Minha Terra”, mistura as características do relato de viagens, do diário íntimo, do ensaio, da reportagem jornalística e do romance.
Dividida em 49 capítulos, sendo que os dez primeiros narram às peripécias da viagem de Lisboa a Santarém (baseado numa experiência real do autor em 1843). Tecendo vários comentários e divagações acerca de todo tipo e quaisquer propósitos: sobre política e administração pública, sobre o clero, sobre o amor, sobre arte, literatura, modéstia, mantendo sempre um tom leve, informativo e irônico.
O estilo garrettiano liberta-se do classicismo, tornando-se maleável, rico e plástico, fazendo corpo com as idéias e as emoções transmitidas.
Ao tomar conhecimento do romance entre Joaninha, a menina dos rouxinóis e seu primo Carlos, o autor irá entremear na narrativa, os lances dessa novela sentimental que possui todos os ingredientes românticos: paixão e ciúme, mistérios e reconhecimentos... E um final trágico, com o distanciamento do herói com a morte da heroína.
Nele percebe-se a projeção confessional da própria vida de Garrett: Carlos é talvez o mais autêntico personagem de seu alter ego.
Quanto a Joaninha, o narrador a imagina com olhos pretos (cor freqüente nos olhos da mulher romântica da época), porém insinua que iria admiti-los de outra cor.
“Viagens na Minha Terra” inaugura a estilística romântica portuguesa por sua jovialidade e espontaneidade coloquial, transmitindo os sonhos, os pensamentos e a visão do mundo.

Passo 2 - Não são poucos os críticos a sublinhar a tensão entre características românticas e clássicas na obra Almeida Garrett. Nos capítulos 05 e 06 de “Viagens na Minha Terra”, encontre e comente elementos que justifiquem tal opinião da crítica.
CAPÍTULO 5
Chega o A. ao pinhal da Azambuja e não o acha. Trabalha-se por explicar este fenômeno pasmoso. Belo rasgo de estilo romântico. — Receita para fazer literatura original com pouco trabalho. — Transição clássica: Orfeu e o bosque de Mênalo. — Desce o A. destas grandes e sublimes considerações para as realidades materiais da vida: é desamparado pela hospitaleira traquitana e tem de cavalgar na triste mula de arrieiro. Admirável choito do animal. Memória do Marquês de F. que adorava o choito.
CAPÍTULO 6
Prova-se como o velho Camões não teve outro remédio senão misturar o maravilhoso da mitologia com o do Cristianismo. — Dá-se razão, e tira-se depois ao Padre José Agostinho. — No meio destas dissertações acadêmico-literárias vem o A. a descobrir que para tudo é preciso ter fé neste mundo. Diz-se neste mundo, porque, quanto ao outro já era sabido. — Os Lusíadas, o Fausto e a Divina Comédia — Desgraça do Camões em ter nascido antes do Romantismo. — Mostra-se como a Estige e o Cocito sempre são melhores sítios que o Inferno e o Purgatório. — Vai o A. em procura do Marquês de Pombal, e dá com ele nas ilhas Beatas do poeta Alceu. — Partida de uíste entre os ilustres finados. — Compaixão do Marquês pelos pobres homens de Ricardo Smith e J.B. Say. — Resposta dele e da sua luneta às perguntas peralvilhas do A. — Chegada a este mundo e ao Cartaxo.



Garrett em sua obra (capítulo 5) dá os ingredientes para “compor” uma estilística romântica que agrade todo e qualquer leitor, registrando assim a contemporânea perspectiva de que a literatura é resultado de apropriações, de plágios e de fragmentos entretecidos trabalhosa e artisticamente por uma consciência em ação. A voz enunciadora das Viagens procura afirmar-se como real também quando apresenta nas digressões dados biográficos (capítulo 6): quando se refere a outras obras suas, como Camões e Um auto de Gil Vicente, entre cujos personagens há também autores literários; quando procura fazer-se entendida por um leitor constantemente desafiado a desvendar o significado do texto, aceitá-lo ou recusá-lo e a quem também caberiam a responsabilidade da sua construção: quando se espelha na personagem Carlos, duplo do autor, pois, como ele, deambulou por Inglaterra, Açores e Porto, teve de fugir por suas idéias liberais, conviveu nos salões aristocráticos, teve agitada vida amorosa e acabou agregado à nobreza e à política dominante, como visconde e par do reino.
A identificação entre criador e criatura, tão contrária ao gosto clássico, ratifica a opção de Garrett pelo romantismo e pela valorização, na obra literária, do indivíduo e de seus interesses.

Passo 3 - Uma das características do período romântico é a retomada de temas medievais. A novela de cavalaria do século XII, Tristão e Isolda, abordada na etapa n.º 2, é recuperada, direta ou indiretamente, ao longo da história da literatura. O chamado amor romântico, característico dos romances do século XIX, encontra suas origens no amor paixão do período medieval, aquele que se contrapõe ao amor cortês. Considerando a leitura do romance Amor de Perdição (1862), de Camilo Castelo Branco (1825-1890), faça uma análise comparativa sobre a relação amorosa estabelecida entre as personagens Teresa Albuquerque/Simão Botelho e entre Tristão/Isolda.

Amor de Perdição – na abordagem temática em que o impedimento da realização amorosa e, o ponto de vista dos narradores, implica em ver a proibição, decorrente de fatores sociais e familiares, como uma atitude geradora de perdição. É também vista como desgraça e infelicidade, gerando uma espécie de quietismo erótico, uma contemplação extática do amado, acompanhada da exclusão dos outros e do mundo, onde normalmente libera-se numa torrente de energia psíquica para ações, que não estão de modo algum diretamente relacionadas ao amado.
E é num ato de resistência entre os dois amantes, na luta até a morte para defender o direito de permanecerem juntos, que os fazem enfrentar todo tipo de percalços (Simão mata Baltazar, que é o motivo de sua prisão; Teresa vai para o convento, onde morre ao saber da partida de Simão para o degredo; Simão morre de angústia ao saber da morte de sua amada, seu corpo é jogado ao mar e Mariana, enamorada deste, abraça-o, escolhendo o mesmo destino), destinos em comum com o de “Romeu e Julieta” de Shakespeare.
Este amor, não é de pura felicidade. Ao contrário, a presença do sofrimento é sempre constatada e enaltecida. A/o amante idolatra o/a amado, em que o adorador torna seu ídolo responsável por sua existência. Portanto, é nesta base do Romantismo que caracteriza a obra, encontrando o caminho para o sentimentalismo exacerbado, mas principalmente, na defesa da noção de indivíduo que é vista da maneira como o amor é encarado.

Tristão e Isolda – os sentidos da paixão dá cor e forma aos amantes. O que determina a sua perdição está nas interferências de ordem social, decorrentes das convenções e valores desta sociedade medieval: o código de cavaleiro.
Este amor-paixão é um amor transgressor, e caracteriza-se pela idealização de um imenso sofrimento dos amantes, o que gera um alto grau de tensão no romance. Apesar de realização do erotismo, existe a impossibilidade deles viverem juntos em harmonia, pois as leis morais e sociais funcionaram como obstáculos indissolúveis. Se o herói é aquele que supera os obstáculos, Tristão é quando estes surgem, sendo o meio do jovem provar a sua coragem e bravura, sujeitando-se a tudo em nome da paixão. No trágico romance, a culminância é a morte dos dois amantes; assim, nesse momento, Tristão é elevado a herói, quando encontra a única maneira de dissolver o que impede a realização do seu amor – o destino, cuja vida e as leis determinaram que eles não pudessem se unir -, através da morte. Na lenda, essa ideologia é representada na figura da roseira e do cepo, que crescem juntos e são inseparáveis, configurando o mito do amor eterno.

Um comentário:

  1. NOTA TOTAL DA ETAPA 07: 10,0/10,0.
    Nota do passo 01: 3,0/3,0.
    Nota do passo 02: 3,0/3,0.
    Nota do passo 03: 4,0/4,0.

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